Metropolitan Logística: Evolução no gerenciamento de armazém
Flexibilidade no sistema foi a prioridade estabelecida pela Metropolitan Logística para a adoção de um novo WMS, de forma a ganhar maior agilidade e otimizar os processos nas diversas operações exigidas para atender à demanda de diferentes clientes
Sônia Monfil Cardona
Impondo-se novas exigências para melhorar a performance dos serviços logísticos oferecidos na sua unidade de Barueri (SP), a Metropolitan Logística identificou a necessidade de implementar um novo sistema de gerenciamento de armazém – WMS (Warehouse Management System), que, ao mesmo tempo em que ampliasse o controle de cada uma das etapas dos processos, permitisse adequações para as peculiaridades das operações de cada cliente. Assim, no início de 2003, a empresa deu início a um processo de seleção da empresa fornecedora de software, que foi concluído em abril de 2003 com a escolha do sistema apresentado pela Inovatech, cuja implementação foi gradual, atingindo plenamente as operações no final do mesmo ano.
“Entendemos que, na nossa atividade de operador logístico, o sistema tem de ser obrigatoriamente flexível, porque temos várias operações para clientes diferentes, com especificações diferentes, e temos de atender esses requisitos de operação para cada um deles”, justifica Eduardo Chiba, diretor de Operações da Metropolitan Logística, para quem a proposta apresentada pela Inovatech foi a que melhor atendeu as expectativas. “Precisávamos de um software que pudesse ser customizado, tanto sob o ponto de vista da proposta comercial como no atendimento, disponibilizando profissionais para nos atender a qualquer momento.”
A primeira etapa da implantação do novo WMS foi desenvolvida na área de controle e documentação fiscal relativa ao armazém geral, para depois envolver as operações completas tanto nas atividades de armazém como no centro de distribuição. “A Inovatech entrou fazendo um trabalho de implantação do sistema primeiro para o controle fiscal no armazém, já que nesse modelo de atividade há a necessidade de troca de notas entre cliente e empresa, enquanto que, no caso dos clientes alocados no centro de distribuição, as notas são emitidas diretamente. Começamos com foco no armazém, em alguns clientes menores, até para se fazer um piloto em termos de utilização e validação do sistema e depois migramos também para a parte de operador logístico”, conta Ricardo Montagna, diretor da Inovatech.
Adaptação do sistema
A segunda etapa, mais complexa e fundamental para os objetivos da Metropolitan, foi a implementação do que o diretor de Operações da empresa chama de “lógica e física”, ou seja, o endereçamento e a localização das mercadorias pelo WMS. “A complexidade que temos aqui, em algumas operações, é muito grande. Temos entre nossos clientes, por exemplo, a Tim Brasil, para a qual fazemos o escopo completo de serviços logísticos. Isso envolve toda a parte de customização e uma logística reversa muito grande, exigindo mais de 150 funcionários dedicados, o que dá uma idéia do volume de tarefas que exige; são várias operações dentro dela”, ressalta Chiba, informando que esta unidade da Metropolitan conta com 12 clientes, a maioria do segmento de eletroeletrônicos, cujo valor em item estocados ultrapassa R$ 300 milhões.
Embora o WMS da Inovatech seja um pacote — já existem 20 cópias implementadas em empresas em vários pontos do País — permite ser ajustado às necessidades específicas de cada cliente. No caso da Metropolitan foram feitas todas as adaptações que pudessem agilizar processos para aumentar a produtividade nas operações. “Hoje, sem o sistema WMS do jeito que foi desenhado e implementado, não há como a Metropolitan trabalhar. Ele está totalmente integrado ao processo operacional deles, com todas as adaptações exigidas para controlar todo o processo desde entrada da mercadoria, passando pelo endereçamento e a montagem de kits, chegando até a logística reversa”, explica Ricardo Montagna.
De modo geral, segundo o diretor da Inovatech, 80% do sistema servem a todos os clientes e os outros 20% correspondem às adaptações necessárias para ajustá-lo às especificidades de cada cliente. “Apesar de o WMS ser um pacote, ele é moldado para atender a realidade particular do cliente e esses 20% acabam sendo fundamentais, pois são esses ajustes que trarão o ganho de produtividade para o operador logístico.”
Especificamente neste trabalho desenvolvido para a Metropolitan, a Inovatech foi além da adequação do WMS, inaugurando um novo modelo de atuação, com uma participação direta no dia-a-dia de todas as tarefas que se relacionam ao sistema, por meio da presença, em tempo integral, de um consultor da empresa no cliente. O que, segundo o diretor da Metropolitan, foi um dos diferenciais significativos neste projeto. “Hoje, temos um funcionário da Inovatech alocado aqui, mas já chegamos a ter dois no início do desenvolvimento do projeto. Isso é importante para dar uma resposta rápida caso surja algum problema de funcionalidade no software ou até mesmo dúvidas operacionais por parte do funcionário do cliente. Para eles, quanto mais rápida for a resolução, melhor, mesmo que a questão não seja tão urgente.”
Para Ricardo Montagna esse estreitamento da relação entre cliente e fornecedor – também uma novidade para a Inovatech – é interessante, pois estabelece uma efetiva parceria com um único objetivo: a evolução contínua do sistema. “É a maneira de acompanharmos as mudanças que operações desse porte requerem, como velocidade e confiabilidade em todo o processo de controle de produtos. O grande segredo desta implantação foi todo o processo de racionalização dessa operação de forma continua, até pela própria disposição do cliente de estar sempre com uma pessoa da Inovatech dentro na empresa.”
Ele destaca, ainda, que o nível de capacitação dos operadores da Metropolitan também foi um ponto importante para o sucesso de todo esse trabalho, desde o início.
“Geralmente, o processo de implantação tem uma dose de estresse, mas com relação ao pessoal deles isso não aconteceu. Eles tinham expectativa em relação a uma ferramenta que pudesse agilizar o seu trabalho. Não vou dizer que foi absolutamente tranqüilo, mas não foi traumático. Todos estavam preparados e esperavam por essa mudança, portanto, se envolveram bastante com o projeto.”
Resultados
Com pouco mais de meio ano da plena aplicação do WMS, a avaliação de resultados na Metropolitan é muito positiva. Segundo Eduardo Chiba, os ganhos não são facilmente mensuráveis porque o sistema sozinho não faz nada, mas implica na definição de uma série de procedimentos que são “amarrados” ao sistema, trazendo uma série de resultados indiretos. “Não se consegue medir exatamente os benefícios que o sistema trouxe, mas é muito significativo. Um dos ganhos que podemos destacar foi aumento da acuracidade do estoque. No último inventário que realizamos, por exemplo, ela foi muito alta, de 99,9%.”
O diretor de Operações da Metropolitan pondera que, apesar de, como todo sistema, tornar todo o processo mais rígido, é um sistema rápido e ágil. “Quando se tem um sistema de controle das operações, naturalmente, você aumenta o tempo de processamento de uma separação de material dentro da área de armazenagem, por exemplo, mas no caso do WMS da Inovatech é bem mais ágil. Ele permite, via os seus controles internos, e pela facilidade que as telas tem na interface com os operadores, uma operação bem rápida.”
Outra questão importante, avalia Chiba, foi a própria otimização do espaço físico do armazém, que passou a organizar de forma inteligente as mercadorias dentro da estrutura, garantindo que aquelas que giram mais fiquem mais próximas do local de picking, para que os operador percam menos tempo na movimentação. “Assim, quando o pedido chega do cliente e, automaticamente, é traduzido para o WMS que indica o melhor local para buscar a mercadoria, seguindo regras de FIFO e os critérios de localização ótima”, destaca informando que os operadores trabalham com modelos de coletores de dados da Symbol, com tecnologia de radiofreqüência.
A mudança proporcionada pelo novo sistema parece ter mesmo correspondido as expectativas da empresa, prova disso é que a Inovatech está implementando o seu WMS na unidade do Rio de Janeiro da Metropolitan Logística que deve ser inaugurada ainda neste mês de agosto.
Trajetória traçada por mudanças
O Grupo Metropolitan teve origem no transporte de mudanças, atividade em que se consolidou como a maior empresa no mercado da América Latina. Com o passar dos anos constituiu o conglomerado de empresas especializadas no transportes nacional e internacional, serviços logísticos e armazenagem. Atualmente conta com mais de 1.000 funcionários, agentes em 132 países e filiais em Recife, Brasília, Salvador, Vitória, Goiânia, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Curitiba. A Metropolitan Logística surgiu em 1992 para atender inicialmente as empresas do grupo, passando, em seguida, a expandir as operações para outras empresas. Nos últimos cinco anos especializou-se no atendimento de empresas do segmento de eletroeletrônicos e de telefonia móvel.